De onde surgiram as remadas memoriais?


A maneira que os surfistas honram os que passaram entre nós, com um serviço memorial flutuante, nos distingue como uma tribo.

Por Chase Scheinbaum – The Inertia

É como honramos os nossos heróis e nossos irmãos e irmãs que compartilham um amor pelo oceano. Este ritual, o memorial de remada para fora, tem uma sensação antiga que parece sugerir que tem raizes na Polinésia pré-histórica ou no Hawaii.

Mas os historiadores discordariam dessa teoria da origem. Especialistas acreditam que o fenômeno realmente nasceu no Hawaii, mas em tempos muito mais modernos – e pelo gosto do próprio Duke Kahanamoku.

Nesta tradição, os surfistas remam no oceano com flores ou folhas em torno de seus pescoços ou entre os dentes, e juntam as mãos para formar um círculo flutuante. Uma ou mais pessoas oferecem palavras ou lembranças sobre os falecidos. E então todo o grupo irrompe em assobios e aplausos, salpica a água, joga as flores no ar e, se cinzas estiverem presentes, as espalha.

Enquanto a história das remadas memoriais é nebulosa, especialistas da cultura havaiana não acreditam que o ritual tenha vindo dos ilhéus antigos, que enterravam os seus mortos em terra. Em vez disso, as primeiras remadas memoriais conhecidas podem ser rastreadas até início do século 20 no Hawaii, onde eram realizadas pelos “garotos da praia”.

Este grupo de watermen, chamado às vezes os Beachboys de Waikiki, que incluiu Kahanamoku, trabalhou nos hotéis em Oahu, ensinando às pessoas do continente como surfar e apreciar o oceano. Um garoto da praia chamado Wally Froiseth, que nasceu em 1920, verificou essa teoria a partir de uma lembrança pessoal. Ele assistiu à sua primeira vez aos 6 anos de idade. “Não conheço nenhum lugar que tenha feito isso antes de Waikiki”, disse ele ao New York Times.

Froiseth pode ser a melhor fonte sobre este tópico. Procure na Enciclopédia do Surf de Matt Warshaw e você será saudado com a mensagem “Nenhuma entrada correspondente encontrada”. Peter Westwick e Peter Neushul, os autores do livro “O Mundo da Ondulação: Uma História Não Convencional do Surf” ficam igualmente perplexos sobre as origens.

De acordo com o fundador e editor do Surfer’s Journal, Steve Pezman, também citado pela Times, as remadas memoriais migraram para o continente nas primeiras décadas do século passado e “depois se espalharam com o esporte, especialmente no final dos anos 50 e início dos anos 60 depois que o filme ‘Gidget’ foi lançado”, observa a Times. Desde então, este aspecto da cultura do surf moderno atingiu todas as partes do globo onde os surfistas residem.

Quando um grande surfista morre hoje em dia, como quando Andy Irons faleceu em 2010, a remadas memoriais foram feitas em vários países, com centenas de surfistas unindo suas mãos em sua homenagem. No caso da competição Em Memória de Eddie Aikau, a remada memorial é feita a cada temporada.

Naturalmente, nenhuma remada memorial seria completa sem outra tradição distinta do surf: a crença de que o falecido sendo honrado mostra a sua presença com uma onda passando pelo círculo de surfistas, ou com a chegada de um swell, como quando veio o “Brock Swell” no ano passado, que se pensa ter sido enviado pela lenda das ondas grandes, Brock Little, que tinha recentemente sucumbido ao câncer.

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